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São José está de luto pelo “Eterno Presidente”

O São José está de luto. O maior presidente da história do clube, Mário Ottoboni, morreu aos 87 anos, na madrugada desta segunda-feira. Ele estava internado em estado grave na UTI de um hospital da cidade, enfrentando uma infecção pulmonar e problemas cardíacos.

Mário Ottoboni foi o presidente que colocou o São José no futebol profissional e construiu o estádio Martins Pereira. Alberto Simões, saudoso cronista esportivo e professor, acompanhou a movimentação do clube na época e, em 1995, publicou a respeito no livro “Esporte, Formigão e Águia”.

“Em 1967 o estão Esporte Clube São José precisou parar suas atividades para atender a uma portaria do presidente da Federação Paulista de Futebol, João Mendonça Falcão. As equipes profissionais que estavam disputando o acesso eram obrigadas a possuir estádio com capacidade mínima para 10 mil torcedores. O “velho” Martins Pereira, da Antonio Saes, era todo de madeira e não comportava mais de três mil espectadores.

Mário Ottoboni, presidente do “Esporte”, resolveu arregaçar as mangas e com os seus companheiros de diretoria partiu para uma obra considerada gigantesca. Foi criticado e chamado de “louco” quando projetou o estádio que até hoje só foi construído pela metade. Pelo projeto original ainda deveria ser erguido o anel superior: a capacidade total é para 40 mil torcedores.

Na realidade, Ottoboni enfrentou uma série de obstáculos, mas sua virtude maior sempre foi a coragem. Topou o desafio e construiu o Estádio Martins Pereira, e só lamenta que o clube tenha perdido o patrimônio: faltou colaboração do Poder Público, a partir de 1970. Segundo Ottoboni, a dívida era perfeitamente contornável, e o estádio nem precisaria ter ido a leilão.

Em julho de 1975 a crise do Martins Pereira foi solucionada pelo prefeito Ednardo José de Paula Santos, pois o São José não tinha como pagar à firma construtora. O estádio passou a pertencer à municipalidade, pelo preço de CR$ 4.558,937,00. Mas a “Águia do Vale” continua tendo a prioridade de uso, pois, afinal, o estádio é do povo.

Na época da inauguração, os companheiros queriam que o estádio tivesse o nome de Mário Ottoboni. Ele não concordou, ententendo que o mais justo era continuar a homenagem aos irmãos Martins Pereira.

O homem que colocou o São José no profissionalismo e construiu o estádio passou a ser chamado pelos amigos e pela torcida de Eterno Presidente.”

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Do filho sobre o pai

Na semana passada, o jornalista e filho Julio Ottoboni deixou postagens nas redes socias. Uma delas foi a seguinte:

“Mário Ottoboni, meu pai, está em situação gravíssima na UTI em São José dos Campos. As chances de sobreviver ao quadro de infecção pulmonar e as problemas cardíacos e decorrentes do processo infeccioso são mínimas. Nascido em setembro de 1931, na colônia italiana de Barra Bonita (SP), veio ainda muito jovem para São José e foi um exemplo de superação e persistência.

Muito pobre e órfão de pai, conseguiu superar as adversidades e se tornar um dos principais personagens da história local no século 20. Foi jornalista, autor teatral premiado, se formou em Direito, construiu o estádio de futebol da cidade sem um centavo de dinheiro público, criou o método de ressoacialização APAC, reconhecido e aplaudido pela ONU como criador da primeira cadeia no mundo sem policiais (preso cuidando de preso) e zero em fugas e rebeliões, e se aposentou com mais de 30 anos de trabalho como secretario administrativo da Câmara Municipal.

O reconhecimento de seu trabalho social correu o mundo, foi homenageado em diversos países e por entidades de enorme relevância. Escreveu mais de 30 livros. Espero que seu nome não se perca na mediocridade do cotidiano, na ignorância do esquecimento.”

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Nas imagens, Mário Ottoboni com o atual presidente do São José, Adilson José da Silva, no evento de recolocação da placa inaugural do Martins Pereira (foto: São José EC/Divulgação) e com Oldair e Dario, destaques do Atlético Mineiro, dando o pontapé inicial da partida de inauguração do estádio, em março de 1970 (foto: arquivo da família Ottoboni).

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