O Clássico do Vale que impulsionou a história
O Clássico do Vale de 1979 volta a ser lembrado na semana do primeiro deles pelo mata-mata das quartas de final do Campeonato Paulista da Série A-2. Depois de 45 anos, São José e Taubaté têm um novo confronto importante pela principal divisão estadual de acesso. O jogo de ida será no sábado, às 17h, em São José dos Campos. O da volta, na quarta-feira, dia 19, às 20h, em Taubaté.
O campeonato de 1979, na época denominado 2ª Divisão, começou com 20 equipes e depois de duas fases mais longas, classificou os quatro melhores para um quadrangular de seis rodadas de turno e returno. O campeão subiria direto à 1ª Divisão, atual Série A-1 e o vice disputaria uma repescagem contra o penúltimo colocado do Paulistão, pois o último já estaria rebaixado.
Com a vitória ainda valendo dois pontos e o saldo de gols como primeiro critério para desempate, o quadrangular final chegou envolvendo três times do Vale do Paraíba: Taubaté, São José e Esportiva de Guaratinguetá. O Santo André foi o quarto participante. Da 1ª Divisão, o Velo Clube de Rio Claro desceu direto como último colocado e o Marília, penúltimo, ficou esperando o adversário da repescagem.
A primeira rodada do quadrangular, no dia 11 de novembro teve: Esportiva Guará 0 x 3 Taubaté e Santo André 0 x 0 São José. A segunda, no dia 15: Taubaté 2 x 1 Santo André e São José 1 x 0 Esportiva Guará. A terceira, no dia 18 e fechando o primeiro turno: Taubaté 0 x 0 São José e Esportiva Guará 0 x 2 Santo André.
A quarta rodada, no dia 21: Santo André 2 x 0 Taubaté e Esportiva Guará 1 x 1 São José. A quinta, no dia 25: Taubaté 1 x 0 Esportiva Guará e São José 1 x 1 Santo André.
Na partida entre São José e Santo André, o árbitro Romualdo Arrpi Filho, que bem mais adiante apitou a final da Copa do Mundo de 1986, anulou um gol joseense que acabou gerando muita confusão. Para quem estava no estádio, o centroavante Tião Marino, exímio cabeceador, não usou a mão para aproveitar um levantamento na área.
Os protestos saíram do controle e por causa de rojões e objetos arremessados no campo, o São José foi punido com a perda de campo na partida seguinte, justamente contra o Taubaté.
Antes da sexta e última rodada, o Taubaté liderava com sete pontos e três gols de saldo com seis marcados e três sofridos. O Santo André, em segundo, com seis pontos também somava seis gols marcados e três sofridos. O São José, em terceiro, com seis pontos e apenas um gol de saldo com três marcados e dois sofridos. A Esportiva Guará, já eliminada, tinha um ponto com um gol marcado e oito sofridos.

Decisiva
Na sexta e última rodada, no dia 29, o Santo André fez a parte dele ao marcar 1 a 0 na Esportiva Guará, indo a oito pontos e quatro gols de saldo. Assim, no Clássico do Vale, o Taubaté jogaria por uma vitória simples e o São José também precisaria vencer e ainda melhorar o saldo de gols.
Sem poder utilizar o estádio Martins Pereira, por conta da punição, o São José teve o seu jogo contra o Taubaté levado para o estadio Palestra Itália, o antigo Parque Antarctica, do Palmeiras. Caravanas de joseenses e taubateanos levaram 15.085 torcedores pagantes a São Paulo.
No jogo, o Taubaté começou melhor e com menos de três minutos abriu o placar. Escapada pela esquerda, cruzamento na segunda trave e cabeçada do ponteiro-direito Amauri.
O São José reagiu e poderia ter empatado quinze minutos depois, quando o meia Niltinho foi derrubado na área pelo zagueiro Ari. O zagueiro Darcy cobrou o pênalti no canto direito e o goleiro Wagner fez grande defesa mandando a escanteio.
Aos 40 minutos, o bandeirinha Marcos Campos Salles (que fez dupla com José Pereira da Silva) chamou o árbitro José de Assis Aragão e um desentendimento entre o ponteiro joseense Nenê e o lateral taubateano Banha gerou a expulsão de ambos.
No começo do segundo tempo, aos 7 minutos, o São José ficou sem outro jogador expulso quando o centroavante Tião Marino reclamou da arbitragem. E mesmo com um a menos, o time joseense descolou um falta na entrada da área, mais pela meia esquerda e empatou. Aos 14, o meia Tata surpreendeu o goleiro ao chutar por baixo e no canto esquerdo.
Como precisava vencer para, no mínino, ser vice-campeão, o São José foi à frente. O Taubaté, com espaços, soube explorar os contra-ataques para buscar o título que estava ao alcance. Em um deles, aos 30 minutos e muita disputa até o final da jogada, o centroavante Antônio Carlos foi arrojado na conclusão.
Em vantagem, com um jogador a mais e possuindo a vitória que precisava, o Taubaté levou o placar de 2 a 1 até o final. O São José, com a derrota, terminou na terceira colocação e foi subir somente no ano seguinte, como o campeão de 1980.
Na repescagem, com terceiro jogo para desempate, o Marília superou o Santo André com duas vitórias e uma derrota.

Os times
O Taubaté, do técnico Oscar Amaro, jogou com: Wagner; Banha, Ari, Botu e Cleto; Piorra, Toninho Taino (Adilson) e China; Amauri, Antônio Carlos e Betinho (Julião, lateral que entrou por conta da expulsão de Banha).
O São José, do técnico Filpo Nuñez: Mário; Fidélis, Darcy, Ademir Gonçalves (Baitaca, atacante para dar força ofensiva) e Nelsinho; Ademir Melo, Tata e Niltinho (Esquerdinha); Edinho, Tião Marino e Nenê.
Na foto (TV Cultura/Reprodução), Tata, Amauri, Darcy, Ademir Gonçalves, Nelsinho, Antônio Carlos, Botu, Piorra, Banha e Tião Marino ao redor do árbitro Aragão.
