Primeiro técnico estrangeiro da Seleção foi do São José
No dia em que o italiano Carlo Ancelotti foi anunciado como o novo técnico da Seleção Brasileira, vale o registro que um outro treinador estrangeiro já teve a oportunidade de dirigir o selecionado nacional e bem depois, o São José. Foi o argentino Filpo Nuñez, 12 anos antes de vir trabalhar no Vale do Paraíba.
Em 1965, para as festividades da inauguração do estádio Mineirão, em Belo Horizonte, dois amistosos foram programados. No dia 5 de setembro, uma seleção mineira recebeu o argentino River Plate e venceu, por 1 a 0, gol do meio-campista Buglê.
Dois dias depois, a Seleção Brasileira, representada pelo time e a comissão técnica do Palmeiras, enfrentou a seleção do Uruguai e venceu, por 3 a 0, com gols de Rinaldo, Tupãzinnho e Rinaldo. Na época, o Palmeiras encantava e justificava o apelido de Academia.
Depois de muitas histórias, positivas e negativas, Filpo Nuñez veio dirigir o São José em 1977, durante o Campeonato Paulista da Divisão Intermediária, a atual Série A-2, trazido pelo presidente Altamirando Negrão Palma.
O time joseense vinha disputando o título que valia a última vaga de acesso ao Paulistão 78, mas decepcionou em um confronto direto decisivo na penúltima rodada, perdendo em casa para a Francana, por 2 a 0.
Na oportunidade, a equipe de Filpo Nuñez atuou com: Mário; Baiano, Zé Luiz, Botu e Campina; Zé Carlos e Lincoln; Xavier, Elmo (Trindade), Beto e Luís Carlos Barba (Serafim). Após a partida, o treinador foi dispensado e o time cumpriu tabela nas duas rodadas restantes com um técnico interino.
Filpo Nuñez voltou ao São José durante a Divisão Intermediária de 1979, contratado pelo presidente Laerte Pinto da Cunha. Novamente levou o time ao momento decisivo do acesso, mas outra vez com final decepcionanente. Na última rodada do quadrangular decisivo, perdeu um Clássico do Vale disputado em São Paulo, no estádio do Palmeiras. O Taubaté fez 2 a 1, foi campeão e subiu ao Paulistão 80.
A formação de despedida de Filpo Nuñez contou com: Mário; Fidélis, Darcy, Ademir Gonçalves (Baitaca) e Nelsinho; Ademir Mello, Tata e Niltinho (Esquerdinha); Edinho, Tião Marino e Nenê.

Folclore
Nas duas passagns pelo São José foi possível entender a trajetória de Filpo Nuñez no futebol. Além de um profissional qualificado para a função, era um controverso e marqueteiro. Fazia declarações que agitavam o noticiário da imprensa esportiva da época e muitas vezes era acusado de agenciar jogadores e armar esquemas de resultados. Muitos também o rotulavam como “folclórico”.
Sobre Filpo Nuñez há um vasto material disponível na internet e que pode ser acessado com simples consultas. Aqui, no Jogando Juntos, só lembramos que o primeiro técnico estrangeiro da Seleção Brasileira já esteve trabalhando na nossa área de cobertura.

Nas imagens, Filpo Nuñes (de óculos escuros) no Palmeiras que foi o Brasil contra o Uruguai no Mineirão: o diretor Ferruccio Sandoli, Djalma Santos, Valdir Joaquim de Moraes, Waldemar Carabina, Dudu, o treinador Filpo Núñez, Djalma Dias, Ferrari e um outro diretor do Verdão; o mordomo Romeu, Julinho Botelho, Servílio, Tupãzinho, Ademir da Guia, Rinaldo e o massagista Reis (foto do Arquivo do Palmeiras) e quando chegou ao São José, em 1977 (arquivo deixado pelo saudoso cronista esportivo Alberto Simões).
